gov.br UFRRJ ACESSIBILIDADE LIBRAS
  • English
  • Español
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Nota de Repúdio sobre a chacina da Penha e do Alemão

Postado em 5 de novembro de 2025

“A carne mais barata do mercado é carne negra…
Que vai de graça pro presídio
E para debaixo do plástico
Que vai de graça pro subemprego”


Ao iniciarmos nossa manifestação com os versos da canção “A carne”, de autoria de Seu Jorge, Marcelo Yuka e Ulisses Cappelletti, consagrada na voz de Elza Soares, nós, da comunidade acadêmica do Programa de Pós-Graduação em Educação, Contextos Contemporâneos e Demandas Populares (PPGEDUC) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro repudiamos veementemente a chacina ocorrida nos complexos da Penha e do Alemão que culminou na morte de 134 pessoas, 130 civis e 4 policiais, no dia 28 de outubro. A megaoperação planejada pelo governo do estado do Rio de Janeiro, na figura de Cláudio Castro, é considerada a operação policial mais letal da história brasileira.
Essa tragédia não foi uma exceção ou um exagero por parte da força armada do estado, mas a condução da necropolítica que vitima em grande parte as populações negras, como constatamos nas fotografias dos corpos expostos em uma das principais vias de acesso ao Complexo da Penha e registrados pelos diversos veículos de comunicação.
Esse projeto de política de segurança pública ineficaz, que não resolve a redução da criminalidade e da violência, que há anos assola o estado do Rio de Janeiro, apresenta como destino aos mais desfavorecidos social e economicamente, a falta de oportunidades educacionais, impedindo o desenvolvimento de diversas crianças e adolescentes quando suas escolas precisam interromper suas atividades pedagógicas em momentos de conflito armado, além da falta de acesso aos serviços de saúde, renda e moradia digna.
Por isso, reiteramos a prevalência do Estado Democrático de Direito, na qual as polícias civis e militares cumpram o seu papel de proteger as cidadãs e os cidadãos, preservem o patrimônio e atuem no combate ao crime organizado por meio de investimentos em inteligência e estratégias que se efetivem em políticas de segurança pública de forma conjunta entre as esferas estaduais e federais.
No entanto, o futuro de uma política efetiva de segurança pública só será possível quando houver em primeiro lugar os direitos humanos enquanto referência condutora de todas as práticas legislativas e nas políticas governamentais. Mesmo diante das atrocidades impetradas pelo genocídio das comunidades da Penha e do Alemão, o PPGEDUC reitera ainda os versos da canção “A carne” na interpretação de Elza Soares: “Mas mesmo assim ainda guardo o direito De algum antepassado da cor Brigar sutilmente por respeito Brigar bravamente por respeito”

Ir para o conteúdo