Seminários PPGFIL / “A pólis, a busca do bem comum e o exercício da liberdade”.

Dia 27 de junho, às 10h, na sala 02 do PPG/ICHS.

O seminário será conduzido pelo professor Mário Máximo (UFRRJ)

Esta é a segunda apresentação relativa ao projeto de pesquisa Vida humana e racionalidade prática no horizonte da filosofia aristotélica. A cada mês ocorrerá uma, que ficará a cargo dos professores e pesquisadores envolvidos, segundo os seguintes eixos temáticos: 1. Natureza humana; 2. Ação e sua estrutura; 3. Bem viver e eudaimonía; 4. Ciências humanas e sociedade.

Abaixo, o resumo da fala do dia 27/06.

Promoção:

Zétesis – Grupo de pesquisa em filosofia antiga e tradição

Noûs- Estudos de Hermenêutica Filosófica e de História da Filosofia

Linha de pesquisa Filosofia Antiga e Recepção do PPGFIL/UFRRJ

RESUMO:

Aristóteles afirma que a pólis é a forma “acabada”, mais desenvolvida, das relações humanas. É na pólis que os homens são propriamente homens e podem exercer as virtudes que compõem uma vida feliz. Mas o que é a pólis? Durante a Grécia clássica (séculos IV e V BCE), o “mundo grego” possuía mais de mil poleis, com tamanhos variados e organizações de governo distintas. Baseada numa produção majoritariamente agrícola, com trabalho escravo e domínio masculino dos assuntos públicos, a pólis se apresenta como uma criatura estranha para o nosso olhar moderno. Por outro lado, o nascimento da democracia e as ideias de bem comum (em oposição ao bem privado) e de liberdade (em oposição à tirania) encontram forte ressonância na pólis e são essenciais nos dias em que vivemos. Ademais, Aristóteles afirma que a política não é uma mera convenção – uma aliança de interesses conjunturais que poderia assumir uma infinidade de propósitos e estruturas. A pólis é a forma própria de os homens se organizarem e viverem. Não se trata de dizer que a pólis é uma estrutura rígida ou única, mas de afirmar sua conexão privilegiada com o bem humano. Os homens só podem florescer numa pólis saudável. Assim, proponho a investigação dos elementos indispensáveis da pólis para a busca do bem comum e o exercício da liberdade, distinguindo-os, se possível, daquilo que é apenas um acidente histórico.