Histórico
Em 1963, a Universidade Rural passou a se chamar Universidade Federal Rural do Brasil. Na ocasião, sua estrutura era composta pelos seguintes setores: as escolas nacionais de Agronomia e de Veterinária; as escolas de Engenharia Florestal, Educação Técnica e Educação Familiar; além dos cursos de nível médio dos colégios técnicos de Economia Doméstica e Agrícola (Escola Ildefonso Simões Lopes). Em 1965, com a Lei 4.759, a instituição passou a denominar-se Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Em 1966, foi criado o curso superior de Química em 1968 as escolas de Agronomia e Veterinária se transformaram em cursos de graduação. Desde então, a UFRRJ constitui-se uma autarquia (entidade autônoma, auxiliar e descentralizada da administração pública), passou a atuar com uma estrutura mais flexível para acompanhar a reforma universitária que se implantava no país. Em 1969, foram iniciados os cursos de Licenciatura em História Natural, Engenharia Química e Ciências Agrícolas. Em 1970, surgem mais cinco graduações: Geologia, Zootecnia, Administração de Empresas, Economia e Ciências Contábeis. Com a aprovação de seu estatuto, em 1970, a Universidade ampliou as áreas de ensino, pesquisa e extensão. Em 1972, iniciou o sistema de cursos em regime de créditos. Em 1976, foram iniciadas as licenciaturas em Educação Física, Matemática e Física. Administração de Empresas foi o primeiro curso noturno, criado em 1990. No ano seguinte, teve início a graduação em Engenharia de Alimentos; e foi criado o campus de Campos de Goytacazes, responsável pela pesquisa no setor canavieiro representando um importante centro de apoio ao ensino, a pesquisa e a extensão agropecuária nas regiões norte e noroeste fluminense. Em 2006, a graduação da UFRRJ estava centralizada, sobretudo, no campus Seropédica. Junto com o prédio de aulas no município de Nova Iguaçu, a Universidade oferecia um total de 23 cursos. Neste mesmo ano, o governo federal e o Ministério da Educação (MEC) iniciaram uma discussão com as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) para aumentar o número de universidades federais, além de reestruturar e expandir todo o complexo das IFES já existentes no Brasil através do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI). O objetivo principal do REUNI era ampliar o acesso dos estudantes e garantir sua permanência na educação superior, através da implantação de uma série de medidas que fortalecessem a retomada do crescimento no ensino superior público. Para isso, o MEC ofereceu suporte financeiro para que as instituições participantes pudessem promover sua expansão física, acadêmica e pedagógica.
Instituído em 2007 (Decreto nº 6.096), o REUNI representou um divisor de águas na história da Rural. Novos cursos foram criados durante o processo: em 2009, Belas Artes, Ciências Sociais, Direito e Letras; em 2010, Comunicação Social/Jornalismo, Engenharia de Materiais, Farmácia, Psicologia e Relações Internacionais. Sua tradição de ensino fortemente agrária se expande então para as áreas de Ciências Humanas e Ciências Sociais Aplicadas e dois novos campi são criados: o de Nova Iguaçu (Instituto Multidisciplinar – IM) e o de Três Rios (Instituto Três Rios – ITR). Os novos cursos e campi modificaram o perfil da Universidade, historicamente ligada aos cursos de agrárias, exatas e biológicas. A criação de novas graduações foi planejada para atender as demandas dos municípios onde a Rural está sediada, notadamente na região da Baixada Fluminense.
Hoje, a UFRRJ oferece 56 cursos de graduação presencial, 2 de graduação a distância, 29 cursos de mestrado acadêmico, 8 cursos de mestrado profissional e 17 cursos de doutorado, em seu 4 campi: Seropédica, Nova Iguaçu, Campos dos Goytacazes e Três Rios, atendendo 27.300 alunos de graduação e 2037 de pós-graduação. Também após o Reuni, a pós-graduação na UFRRJ passou por um período de expansão. Entre 2004 e 2014, houve um crescimento de mais de 100%, passando de 17 cursos oferecidos, em 2004, na modalidade stricto sensu, mestrado e doutorado, para 41 em 2014. Em 2021, o número de cursos de pós-graduação totaliza 54, considerando as modalidades acadêmica e profissional. Todo esse processo tem causado um extraordinário impacto no perfil econômico e social das regiões que formam hoje a Baixada Fluminense e a Zona Oeste do Rio de Janeiro. O primeiro fator que assinala essa mudança é o intenso processo de urbanização que torna a Região Metropolitana do Rio de Janeiro uma das mais adensadas do país. […]
Os cursos de Letras da UFRRJ iniciam-se com vistas à formação de um professor com discernimento para compreender que vive em mundo globalizado, mas que é através da linguagem que uma sociedade exterioriza e solidifica a nacionalidade vital para a sua soberania e, até mesmo, sobrevivência. Portanto, a matriz de cada curso, de ambos os campi, teve como objetivo formar um professor crítico e preocupado em atingir as seguintes qualificações: formação global e visão interdisciplinar, articulação entre teoria e prática, predomínio da formação sobre a informação, capacidade para lidar com a construção do conhecimento de maneira crítica, desenvolvimento de conteúdos, habilidades e atitudes formativas, capacidade para conciliar as diferentes linguagens, sem desmerecê-las, isenção ao lidar com as manifestações comunicativas e culturais de diferentes classes sociais, incentivo à pesquisa a partir da graduação de modo a capacitar o futuro profissional a exercer sua profissão com base na investigação e análise. […]
Desde 2013, com a implementação do PROFLETRAS no campus de Seropédica, os grupos de pesquisa foram ajustando-se para alinhar-se à nova realidade, uma vez que às pesquisas de IC poderiam ser acrescentados estudos desenvolvidos no âmbito do mestrado profissional, estabelecendo-se, assim, mais uma possibilidade de intercâmbio. As lacunas, contudo, ainda mantêm-se em função de dois motivos: 1) o campus de Nova Iguaçu não abrigou o PROFLETRAS e 2) vários docentes por não serem licenciados em Literaturas de língua portuguesa e em Língua Portuguesa ou Linguística não podem compor o quadro de professores desse mestrado. Esse contexto justifica tanto alguns projetos de pesquisa que revelam descrições linguísticas e análises literárias sem interação com o ensino quanto a emergência de um mestrado acadêmico nos cursos de Letras da UFRRJ. De qualquer forma, mesmo não havendo tal interação, esses projetos contribuem para fomentar as pesquisas em ensino, pois os resultados obtidos pelas descrições linguísticas e análises literárias podem ser usados na fundamentação teórica das investigações relacionadas a mediações didáticas. Esses resultados são extremamente importantes para fundamentar projetos de extensão. As recentes diretrizes do PDI-UFRRJ apontam para a curricularização do segmento extensional, o que só se efetiva consubstancialmente se houver a integração entre o conhecimento produzido no nível de pesquisa com o ensinado na graduação. Caso não ocorra tal troca, as ações extensionistas tendem a se repetir e repetir conhecimentos já bastantes discutidos. Tem-se, mais uma vez, uma motivação bem plausível para a implementação de um mestrado acadêmico nos cursos de
Letras da UFRRJ. […]