Alexandro Pereira da Silva
PROPOSTA DE UM MODELO DE AULAS POR IMERSÃO PEDAGÓGICA PSICOSSOCIAL
Palavras-chave: Imersão Pedagógica; Ensino de Química; Aprendizagem Sensorial; Metodologias Ativas; Formação Docente.
Data: 08/10/2025
Resumo
O presente estudo, inspirado em duas décadas de experiência na área da química industrial e na licenciatura da educação básica da rede pública, investiga o desinteresse e a evasão no ensino médio como um problema de desconexão entre o saber escolar e a experiência vivida. O trabalho parte da premissa de que a aprendizagem significativa também emerge de práticas pedagógicas que engajam o aluno de forma integral — cognitiva, emocional e sensorialmente. Para enfrentar este desafio, este trabalho teve como objetivo central fundamentar teoricamente, desenvolver e avaliar uma metodologia de ensino-aprendizagem, denominada modelo de aulas de Imersão Pedagógica Psicossocial (IPP). O arcabouço teórico articula os fundamentos da autonomia em Kant, Piaget e Freire com os mecanismos da imersão descritos pela neurociência e pela psicologia cognitiva, como a Teoria do Fluxo, o Transporte Narrativo e a Cognição Corporificada. Na realização prática foram elaboradas aulas que compõem a temática inicial do 1° ano do Ensino Médio, especificamente os seguintes conteúdos: Matéria e Energia; Estados Físicos da Matéria e suas Transformações; Propriedades da Matéria. Substâncias Simples e Compostas; Misturas, Fases e os Conceitos de Homogeneidade e de Heterogeneidade. As aulas foram compostas por experimentações predominantemente sensoriais, de forma ativa e de modo a promover a interação entre os alunos. O professor em todo o processo atuou sob diversas óticas iniciando como um narrador/provocador seguindo como um facilitador/mediador e concluindo como um sistematizador/consultor. A coleta de dados foi realizada mediante questionários que buscaram primeiro, sintetizar informações sobre as características do grupo de estudo, tais como sua aceitação sobre a escola, seu tempo livre e interesse pelos estudos e se acumulavam atividades laborais, com o intuito de avaliar se as dificuldades na escola estavam associadas a própria escola ou as dificuldades inerentes ao grupo. Na segunda parte dos questionários foram avaliadas a aceitação, o interesse e a possibilidade de ineditismo da proposta, dessa forma os participantes puderam expor suas percepções sobre o quanto o modo de fazer poderia ou não interferir no percurso didático. Os resultados indicaram uma recepção bastante positiva ao método pelos participantes e, principalmente, uma mudança significativa na percepção sobre temas cotidianos, sugerindo que a experiência imersiva pode catalisar um processo de conscientização. A elaboração de objetos que refletem o conteúdo da aula fez parte do desenvolvimento e aplicação das aulas. Esses objetos foram denominados Artefatos de Ancoragem Mnemônicas (AAM) e ao final da aula os alunos receberam os objetos como uma síntese e um lembrete da aula. Concluiu-se que o modelo de aulas IPP, ao orquestrar narrativas, experimentações sensoriais e o trabalho colaborativo, se apresentou como um caminho viável e eficaz para reencantar a sala de aula, promovendo não apenas a aprendizagem de conteúdo, mas também autonomia e análise crítica, conectados com o mundo.
Membros da banca
- Presidente – EMERSON GUEDES PONTES (ORIENTADOR) UFRRJ
- Interno – CLAUDIO EDUARDO RODRIGUES DOS SANTOS UFRRJ
- Interno – ROBERTO BARBOSA DE CASTILHO UFRRJ
- Externo – GRISSET TOMASA FAGET ONDAR
- Externo – OTÁVIO VERSIANE CABRAL