Endoparasitoses gastrointestinais em cães diagnosticados com neoplasias no Rio de Janeiro
DISCENTE : STEPHANIE CARDOSO DA SILVA
ORIENTADOR: JULIO ISRAEL FERNANDES
DATA : 24/02/2025
HORA: 14:00
LOCAL: Laboratório de Quimioterapia Experimental em Parasitologia Veterinária (LQEPV)
PALAVRAS-CHAVES: Canino; imunossupressão; oncologia; parasitos.
PÁGINAS: 50
RESUMO:
Mudanças sociais e no ambiente urbano têm aproximado cães e humanos, promovendo uma relação de afeto que contribui para a longevidade dos animais. Como resultado, observa-se um aumento no diagnóstico de doenças crônicas e malignas, como o câncer. Apesar dos avanços na medicina veterinária, as doenças causadas por parasitas intestinais, ainda negligenciadas, são uma das principais causas de morbidade em cães, com sintomas como vômito, diarreia, anorexia e anemia. Cães hígidos podem ser assintomáticos, mas pacientes com câncer apresentam o sistema imunológico comprometido, seja pela doença ou pelo tratamento, favorecendo o desenvolvimento de sinais clínicos que afetam o bem-estar e podem interromper o tratamento. Embora a taxa de infecção por endoparasitos e a incidência de câncer em cães seja alta, a investigação coproparasitológica antes do tratamento ainda é pouco praticada, e não há dados na literatura sobre a ocorrência dessas infecções nesses pacientes. Este estudo teve como objetivo avaliar as endoparasitoses em cães com neoplasias e correlacioná-las com a doença oncológica (tipo citológico/histopatológico), comparando com animais livres de neoplasias e doenças imunossupressoras. Os cães foram divididos em dois grupos: grupo I (portadores de neoplasias) e grupo II (livres de neoplasias), com 80 indivíduos em cada. Para a avaliação coproparasitológica, foi solicitado aos tutores a coleta de fezes dos cães em potes com MIF durante três dias consecutivos. O material foi analisado por três métodos: centrífugo-flutuação, centrífugo-sedimentação e técnica de Faust. Os resultados dos exames e as informações clínicas obtidas das fichas de atendimento foram tabulados para análise posterior. Nos cães com câncer, foram encontrados parasitas dos gêneros Ancylostoma spp. e Trichuris spp., enquanto em cães sem neoplasias, foram observados Ancylostoma spp., Trichuris spp., Toxocara spp., Giardia sp. e Cystoisospora spp.. O grupo de pacientes com neoplasias apresentou maior número de resultados positivos nos exames coproparasitológicos, sendo os cães diagnosticados com tumores cutâneos os mais afetados. A idade dos animais positivos variou entre 4 e 14 anos, e os machos (7/26) apresentaram mais resultados positivos do que as fêmeas (4/57). O tipo histológico mais frequente nos machos positivos foi o mastocitoma (4/7), sendo que, destes, 3 apresentavam múltiplos tumores com tipos histológicos distintos. Nas fêmeas, os tumores variaram entre neoplasias mamárias, tumores ovarianos e neoplasias cutâneas, sendo que 2 apresentavam mais de um tipo histológico. Conclui-se que a investigação coproparasitológica deve ser realizada durante os exames de triagem e estadiamento de todos os cães com neoplasias, e que cães com múltiplas neoplasias parecem ser mais suscetíveis a infecções por endoparasitos.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente – JULIO ISRAEL FERNANDES
Externo à Instituição – ARY ELIAS ABOUD DUTRA – UVA
Interno – DIEFREY RIBEIRO CAMPOS – UFRRJ
Externa à Instituição – LILIAN CRISTINA DE SOUSA OLIVEIRA BATISTA CIRNE – CESVA
Externo à Instituição – THIAGO SOUZA COSTA – UFRRJ