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Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias

Campus Seropédica - UFRRJ

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Qualificação: Investigação de enterobacterales resitentes à colistina em águas residuais de abatedouro avícola: aspectos microbiológicos e epidemiológicos

Postado em 25 de agosto de 2025
DISCENTE : HOSANA DAU FERREIRA DE SOUZA
DATA : 31/07/2025
HORA: 15:00
LOCAL: https://meet.google.com/use-ixqf-qxo
TÍTULO: INVESTIGAÇÃO DE ENTEROBACTERALES RESISTENTES À COLISTINA EM ÁGUAS RESIDUAIS DE ABATEDOURO AVÍCOLA: ASPECTOS MICROBIOLÓGICOS E EPIDEMIOLÓGICOSPALAVRAS-CHAVES: Resistência bacteriana, Produção animal, Qualidade da água

PÁGINAS: 60

RESUMO: A produção avícola é uma das atividades agrícolas mais importantes para a economia brasileira, tendo registrado um crescimento expressivo na última década. Em 2024, o Brasil produziu cerca de 14,972 milhões de toneladas de carne de frango, sendo considerado o 2º maior produtor mundial e líder mundial das exportações neste setor. Durante o processo de produção de carne aviária, é fundamental considerar que o consumo de água varia entre 5.000 e 21.000 litros por tonelada de carne, gerando grandes volumes de efluentes ao longo da cadeia de abate. Além disso, a avicultura produz grande quantidade de resíduos, incluindo carcaças de aves mortas e cama de frango que consiste na mistura de excretas, penas e descamações da pele das aves e restos de alimento que pode impactar a água de diversas maneiras, desde o gasto excessivo desse recurso até a infiltração dos resíduos no solo e contaminação das águas subterrâneas e superficiais. O uso de antimicrobianos na produção animal tornou-se frequente como promotores de crescimento, pois auxiliam no controle de patógenos e no desempenho animal, geralmente em doses contínuas, visando evitar a condenação de carcaças e queda na produtividade. Mesmo apresentando eficiência, há uma pressão pela sua substituição, em decorrência da alta resistência bacteriana. Nesse contexto, a água torna-se uma via de disseminação de bactérias multirresistentes, o que pode aumentar o risco de transmissão entre os animais, o meio ambiente e, até mesmo, os seres humanos. Dentre as várias classes de antimicrobianos, as polimixinas foram amplamente utilizadas na medicina veterinária para o controle de processos infecciosos e como promotoras de crescimento em animais de produção. A resistência às polimixinas era associada apenas a alterações regulatórias e mutações em genes cromossômicos. No entanto, em 2015, o primeiro gene de resistência móvel (mcr-1) foi identificado em um plasmídeo de Escherichia coli na China. A presença de resistência a polimixina E (colistina) em elementos genéticos móveis representa um risco significativo para a saúde humana, uma vez que esses elementos são capazes de disseminar rapidamente por meio da transferência horizontal de genes (THG). A presença do gene mcr-1 em pelo menos cinco continentes está bem documentada, mas ainda há pouco conhecimento sobre sua origem, aquisição, surgimento e os mecanismos de propagação. O presente estudo tem como objetivo caracterizar Enterobacterales resistentes às polimixinas em águas residuais da Estação de Tratamento de um abatedouro avícola no município de São José do Vale do Rio Preto, localizado na região Serrana do Estado do Rio de Janeiro. Foram coletadas 16 amostras de água em diferentes pontos ao longo do fluxo de tratamento. Ao todo, 140 cepas de Enterobacterales foram isoladas e identificadas por espectrometria de massas – MALDI-TOF MS. As cepas foram submetidas à determinação da concentração inibitória mínima (CIM) de colistina por microdiluição em caldo, sendo 39 classificadas como resistentes (CIM > 2 µg/mL). Estas foram então triadas quanto à presença dos genes mcr-1 a mcr-10, por meio de PCR convencional. Dezesseis cepas apresentaram pelo menos um dos genes pesquisados, com destaque para a detecção dos genes mcr-1 em cepas de E. coli, Enterobacter sp. e Klebsiella sp. nos três pontos amostrados, e do gene mcr-10 em Enterobacter bugandensis. As cepas positivas foram submetidas à tipagem clonal por Multilocus Sequence Typing (MLST). Adicionalmente, as cepas de E. coli foram analisadas quanto à classificação filogenética pelo método de Clermont. Por fim, isolados de Enterobacter bugandensis e Klebsiella pneumoniae obtidos do efluente tratado foram selecionados para sequenciamento genômico completo. A identificação de genes mcr em diferentes espécies de Enterobacterales ao longo da cadeia de tratamento evidencia o papel das águas residuais de abatedouros como reservatórios e potenciais fontes de disseminação de resistência às polimixinas. A detecção desses genes, inclusive após o processo de tratamento, reforça a necessidade de vigilância contínua e do aprimoramento das estratégias de biosseguridade. O presente estudo contribui para o entendimento da dinâmica da resistência em ambientes relacionados à produção animal, além de fornecer subsídios para políticas públicas que visem mitigar os riscos associados à propagação de genes de resistência, especialmente sob a perspectiva de Uma Só Saúde.MEMBROS DA BANCA:
Presidente – SHANA DE MATTOS DE OLIVEIRA COELHO
Externa à Instituição – KAYLANE MONTENEGRO DA SILVA – FIOCRUZ
Externa à Instituição – DAYANNE ARAUJO DE MELO – UV

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