Rio de Janeiro, 10 de abril de 2020.
Histórico

Elementos de inserção histórica do Departamento de Ciências Fisiológicas da Universidade Federal Rural do Rio Janeiro na pesquisa em Biologia Experimental

A presente proposta de criação do Curso de Pós-graduação em Ciências Fisiológicas (CPGCF) na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) não poderia ser formulada sem uma reminiscência aos pioneiros na pesquisa em Ciências Fisiológicas em nossa instituição. Desde os primórdios da criação da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária (ESAMV) as dificuldades para a implementação da pesquisa em Biologia Experimental em nossa instituição foram relatadas.

Miguel Ozorio de Almeida (1890-1953), Lente da cátedra de Fisiologia da ESAMV de (1917 a 1934) e seu ex-diretor, comentava os obstáculos estruturais para a realização de pesquisa na ESAMV. Mesma dificuldade encontrou seu irmão mais velho, Álvaro Ozorio de Almeida na Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro). Diante dessas dificuldades iniciais os dois, na década de 1910, “montaram” um laboratório de Fisiologia instalado no porão da residência de seus pais, à Rua Almirante Tamandaré, no bairro Flamengo, Rio de Janeiro. Posteriormente, o laboratório foi transferido para a Rua Machado de Assis, ainda no bairro do Flamengo, Rio de Janeiro, contando com a benemerência de Cândido Gaffrée e Eduardo Palassin Guinle. Após a morte de Oswaldo Cruz em 1919, foi criada a Seção de Fisiologia do então Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

De posse inicialmente de uma pinça e uma tesoura, Miguel Ozorio de Almeida trilhou brilhante carreira e tornou-se conhecido internacionalmente, como o seu irmão que pontificava na Universidade do Brasil. Miguel Ozorio de Almeida foi contratado como Assistente da Seção de Fisiologia (1919) e designado responsável pelo Laboratório de Fisiologia (1929-1942) e da Divisão de Fisiologia (1942-1953). Destacou-se na Fisiologia particularmente na pesquisa em Neurofisiologia, tendo sido o pioneiro na busca dos mecanismos básicos de gênese das crises epilépticas.

Dentre os seus mais proeminentes discípulos há que se destacar Haity Moussatché, colega de turma de Mauricio Oscar da Rocha e Silva (eminente Farmacologista que se radicou no Estado de São Paulo) um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Fisiologia (SBFis) e talvez o principal “herdeiro” de Miguel Ozorio de Almeida no Instituto Oswaldo Cruz. Essa influência iniciou-se nos anos 1930 quando Haity era estagiário do IOC e consolidou-se a partir de sua contratação como Pesquisador, em 1937. Na sua trajetória no IOC, Haity foi chefe da Seção de Farmacodinâmica e posteriormente da Seção de Fisiologia. Vários pesquisadores receberam influência de Haity Moussatché no IOC dentre os quais destacamos aqueles que se tornaram docentes da UFRRJ, Ézio Tavares Iff e Lucas Vogel.

Ainda sob influência de Miguel Ozorio de Almeida há que se destacar também Fernando Braga Ubatuba que se tornou catedrático de Química Orgânica e Biológica, da Universidade Rural do Brasil, atual UFRRJ, nos anos 1950. Fernando Braga Ubatuba, ao tempo em realizava pesquisa no IOC, atuava também na UFRRJ onde influenciou ao longo dos anos 1960 a formação científica de vários docentes, dentre os quais, Jorge Almeida Guimarães e Eloi de Souza Garcia. Esse período foi muito profícuo na formação de novos recursos humanos no Departamento de Ciências Fisiológicas (DCF, criado em 1963) que se tornaram também competentes na formação de vários profissionais que se destacaram no cenário nacional e internacional.

Infelizmente, com a cassação política do Professor Fernando Braga Ubatuba no final dos anos 1960 o DCF foi quase extinto não fosse a perseverança e comprometimento acadêmico dos Professores Ézio Tavares Iff e Lucas Vogel que reiniciaram o processo de longo prazo de formação de pessoal, considerando que nos anos 1970 e 1980 eram raras as oportunidades de contratação de docentes. Apenas no final dos anos 1990 os núcleos de pesquisa voltaram a ser formalmente estabelecidos, estimulados pela criação do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) oportunamente incentivada por Jorge Almeida Guimarães, em sua passagem pela diretoria de Desenvolvimento Científico e tecnológico do CNPq. Nesse período, dos anos 1990 à metade dos anos 2000, o DCF já contava com pequeno núcleo de pesquisadores pós-graduados em centros de excelência na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Esta re-inserção do DCF no cenário da pesquisa científica nacional foi, portanto, catalisada pelo concurso de novos docentes no decorrer dos anos 2000 e pela criação pelo Governo Federal de política de expansão das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). Essa política governamental tem ensejado a implantação de cursos novos da área de ciências da saúde, fonte de recursos humanos para a pesquisa em ciências fisiológicas.

Fator significativo na constituição do grupo atual que participa do PPGCF é a sua origem de pós-graduação. Todos são originários de programas com conceito 6-7 da CAPES. Em sua maioria, os docentes realizaram cursos de verão e de inverno quando alunos, na UFSC, UFMG, UNIFESP e especialmente na FMRP/USP com as quais mantemos colaboração formal e informal em projetos de pesquisa. 

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