Farmácia

Graduação
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Apresentação e História da Farmácia

O curso de Farmácia (Bacharelado) da UFRRJ, de modalidade presencial, teve início em 2010-II e totaliza 4200 horas de atividades distribuídas em 10 períodos. Ao final do curso o estudante é formado em farmacêutico generalista. Atualmente o curso se encontra no oitavo período e tem entrada semestral de 30 alunos.

A profissão farmacêutica encontrava seu referencial na figura do boticário até meados do século XIX. Ao boticário cabia, de forma artesanal, a preparação e dispensação de medicamentos. Desta forma, os saberes da arte farmacêutica eram transmitidos, no espaço da própria botica, de um profissional mais experiente ao seu aprendiz, tendo como base a vivência da prática do cotidiano. No Brasil daquela época, o exercício da profissão farmacêutica era permitido àqueles que realizavam um exame em Portugal, aplicado pelo oficial do rei e por médicos e boticários por ele escolhidos, depois de um período de aprendizagem de quatro ou mais anos.

Durante o século XIX, o mundo experimentava uma revolução científica sem precedentes históricos, o que levou a uma revolução radical no modo como as Ciências Médicas, e outras áreas, passariam a ser vistas. O desenvolvimento científico influenciaria de forma decisiva o modo de transmissão de saberes, dentre eles, aqueles relacionados ao ensino das Ciências Farmacêuticas. À época na Europa, o ensino das Ciências Farmacêuticas era ministrado nas Faculdades de Medicina, na cadeira de Matéria Médica.

No Brasil do século XIX, o ensino superior em Farmácia teve início após a vinda da Família Real Portuguesa. O ensino pioneiro em Farmácia se deu com a criação das Escolas de Medicina na Bahia e no Rio de Janeiro em 1808 e, consequentemente, a criação da disciplina de “Matéria Médica e Pharmácia” na Escola Anatômica, Cirúrgica e de Pharmácia do Rio de Janeiro.

Os primeiros cursos farmacêuticos foram criados no Brasil durante o período das regências, a partir da lei de reforma do ensino médico de 3 de outubro de 1832 e estavam vinculados às escolas oficiais de medicina que eram a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e Faculdade de Medicina da Bahia.

A partir do início do século XX, vários cursos de ensino da área médica de nível superior, principalmente os de farmácia e de odontologia, começaram a surgir nas capitais ou mesmo nas cidades mais importantes dos principais Estados do país. A primeira escola independente de Farmácia, a Escola de Pharmacia de Ouro Preto, foi fundada em 4 de abril 1839, e funcionava com um curso de dois anos e um currículo que contava com as disciplinas Farmacologia, Botânica e Matéria Médica, entre outras.

Em 1884 foi criada a Escola Superior de Farmácia do Rio de Janeiro. Em 1897 foi criada a Escola Livre de Farmácia e Química Industrial de Porto Alegre, que passaria a integrar a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em 12 de outubro de 1898 foi criada a Escola Livre de Farmácia de São Paulo, a qual seria transformada em Faculdade de Farmácia e Odontologia em 1901 e passaria a integrar a Universidade de São Paulo em 1934. No início do século XX, nas regiões norte e nordeste foram criadas as Escola de Farmácia de Pernambuco e Escola de Farmácia do Pará.

Assim, entre 1892 e 1910, foram criadas 27 instituições de ensino superior; em 1880 o Brasil contava com dois mil e 300 estudantes, em 1915 somavam mais de 10 mil matrículas; em 1930, havia quase 20 mil alunos. Neste cenário de profundas mudanças, o profissional Farmacêutico ganhava destaque, passando do boticário manipulador de medicamentos artesanais a um profissional de formação sólida, multidisciplinar e capaz de atuar em diferentes setores.

No Brasil pós-II Guerra Mundial a profissão Farmacêutica tem seu foco alterado para a produção de medicamentos em larga escala, contemplando a formação de um profissional para atender as necessidades do novo mercado de trabalho que se instala no país.

Neste cenário os Cursos de Farmácia passam a contar com um ciclo pré-profissionalizante, seguido de um profissionalizante único, capacitando o profissional a trabalhar em farmácias e drogarias (habilitação de Farmacêutico), e um ciclo profissionalizante posterior, o qual levava à formação do Farmacêutico Industrial (com ênfase em cosméticos ou medicamentos) ou do Farmacêutico Bioquímico (Análises Clínicas e Toxicológicas e Alimentos).

O novo paradigma do ensino em Farmácia e as excelentes oportunidades de trabalho oferecidas pelo setor industrial produtivo de insumos, medicamentos e cosméticos, acarretam em um processo conhecido historicamente como ”desprofissionalização do Farmacêutico”, caracterizado pelo distanciamento deste profissional das farmácias e drogarias, local onde exercia efetivamente o papel de agente promotor de saúde, e pela formação tecnicista exacerbada.

Este novo modelo, baseado na medicina preventiva e no cuidado integral ao paciente, e não na medicina curativa tradicional, passa a requisitar profissionais diferenciados, com qualidade técnica e atentos à realidade social de seu país. Nasce à época, o conceito do uso racional de medicamentos e a reorientação do papel do profissional Farmacêutico, capaz de atender as demandas do SUS, constituindo-se o momento ideal para a reprofissionalização do Farmacêutico, que consistiria na retomada de sua função como agente promotor de saúde.

 

Para mais informações consulte as referências:

Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1930). Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br).

EDLER, F.C., Boticas e Pharmacias: Uma história ilustrada da Farmácia no Brasil., Editora Casa da Palavra, 160 p., 2006.

A História da Farmácia, RIOPHARMA, 76 (março/abril), pp. 3-5, 2007.